quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bruce Lee num cinema do centrão (passeio retrô)


Sábado passado fui ao velho Cine Olido, perto da galeria, pra assistir a um filme do Bruce Lee. Vários senhores na plateia, eu e dois amigos. O filme era um especial de três episódios de "The Green Hornet" (O Besouro Verde), em que Bruce co-estrelava. Meu amigo Safra fez uma observação interessante: a importância de Lee vai aumentando na trama, à medida que sua carreira no cinema decolava. Um caso clássico de coadjuvante que acaba ofuscando o protagonista por conta de um sucesso obtido paralelamente ao trabalho de início de carreira. No caso de Charles Bronson, o sucesso obtido por ele muito tempo depois, fez com que seus antigos filmes, nos quais fazia meras pontas, fossem relançados com seu nome em destaque.
Uma coisa me chamou a atenção em O Besouro Verde: o herói comenta em certo ponto da trama que apenas um louco jogaria uma bomba atõmica num país inimigo...declaração surpreendente, visto que a série foi filmada em plena guerra fria, e até aquele momento (na verdade até os dias de hoje), os EUA eram o único país a ter atacado um inimigo com este tipo de armamento.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Capa da primeira edição de Dark Knight

Quem manda na América


"Eu quero que se lembre, Clark... da minha mão em sua garganta... a mão do único homem que conseguiu derrotar você!"
As palavras de Bruce Wayne, já sem a máscara, antes de cair supostamente fulminado por um ataque cardíaco, revela que o mito encerra uma crença sobre a divisão de poder: O WASP ainda manda na América, apesar de uma parcela de poder ser concedida a algumas outras subdivisões étnicas.

A obra de Frank Miller está muito além desta simples análise, que eu chamaria simplesmente de "impressões pessoais" a respeito de um trabalho de ficção. Com um roteiro de cinema, um traço soberbo e cores que remetem ao noir, Dark knight é um conjunto de situações, das mais corriqueiras às mais extraordinárias, de uma geração atônita, vivendo num mundo cada vez mais atribulado, com jovens em busca de um líder, com todas as artimanhas do jogo do poder funcionando como plano de fundo, e uma leitura diferente, mais madura e adulta, desta personagem que é um dos grandes ícones da ficção do século 20.

Embora alguns sites disponibilizem o Download, eu não recomendo. Procure nas bancas e livrarias especializadas, e não encontrando, apele para os sebos. A edição de capa azulada de 1988 é um clássico, se encontrá-la, vale bem uns 100 reais (mais que isso já é especulação!)Procure ter o gibi em mãos, vale a pena ler e reler várias vezes...

sábado, 27 de novembro de 2010

A auto afirmação do WASP


A auto afirmação do WASP
Na trama de O Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne aposentou-se do papel de vigilante. Os herois se recolheram de suas atividades, por conta da perseguição política, e o Super Homem nada mais era do que um escoteiro a serviço dos militares.
Wayne se entrega a uma vida fútil e dissoluta, já que ser o vigilante de Gotham era sua única razão de existir. Mas o mundo caótico que se descortina aos seus olhos desperta o morcego vingador que se ocultava dentro do homem. Suas investidas voltam a ocorrer nas madrugadas escuras de Gotham City, ao passo que os criminosos insanos de outrora despertam de seu torpor para funcionarem como alter egos malignos de Batman. Entretanto, o governo não fica nada satisfeito com o retorno do Homem Morcego. Para detê-lo, e enviado o fiel escudeiro do exército americano, ninguém menos que o Homem de Aço. Mas Bruce Wayne já se preparara para o confronto. Usando sua fortuna, desenvolveu um método para fazer a Kriptonita alterar as condições físicas do Super Homem, tornando normal por alguns instantes. Acostumado a trocar socos com criminosos de todas as idades, cores e tamanhos, perito em artes marcias, o Cavaleiro simplesmente espanca Clark! O resultado é o que se vê acima.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O confronto entre o Cavaleiro das trevas e O Homem de aço


Na conclusão do trabalho de Miller, ocorre o ponto alto (embora seja difícil definir o ponto mais alto num trabalho que é excelente do início ao fim)da trama, com o confronto entre Batman e Superman. Atento às simbologias, o leitor não pode ignorar a gêenese do super homem, suas raízes inspiradas nas tradiçoes do Judaísmo, com seus mitos e herois. Idealizado por dois jovens americanos de origem israelita (Siegel e Shuster), Superman é o errante que abandona sua terra natal e ao chegar a um novo mundo adquire super poderes. Como gratidão, dedica sua vida a combater o mal, e busca a integração com o novo ambiente que o destino lhe legou. Kal-el, em Hebraico, significa "amigo de DEUS" e é interessante observar a concepção artística que a personagem sofreu ao longo do tempo. Ao ser criado, em 1932, o Superman personificava o mito do homem superior (em voga na época e apregoado por inúmeras teorias racistas, inclusive a do Nazismo), surgindo como o super soldado que defenderia um povo indefeso de um inimigo implacável. Ou seja, uma resposta dos judeus americanos à perseguição que surgia na Europa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Batman - A personificação do WASP



Membro da elite de Gotham, Bruce Wayne se enquadra perfeitamente na figura do W.A.S.P (White Anglo-Saxon Protestant), numa versão sombria. Visto por muitos como reacionário e direitista, é inegavel que as ações do Homem Morcego tenham um quê de moralismo ultrapassado, assim como sua imensa fortuna funciona como um ornamento que o faz sobreviver num mundo de hipocrisia. Ao tomar a justiça em suas mãos, a simbologia do Cavaleiro das Trevas proclama: a elite branca de origem anglosaxã é quem toma as decisões na América, se não diretamente, então na calada das noites negras de suas grandes cidades. E um detalhe, embora espanque gângsters menores, o verdadeiro inimigo geralmente tem cultura, refinamento e posses, fazendo do mal um caminho escolhido, e não relegado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Batman x Superman


Quem curte quadrinhos e nunca leu "O Cavaleiro das Trevas", de Frank miller, pode se considerar incompleto. Verdadeiro clássico dos comics, a obra foi, segundo o próprio Miller, feita para os fãs de Batman da sua geração (ele nasceu em 1957). Engana-se aquele que imaginar que por ter tido contato com o cruzado de capa nos anos 60, Frank e sua geração se empolgaram com a burlesca série produzida para TV e estrelada por Adam west e Burt Ward. Frank Miller sempre se interessou pelo Batman das origens, sombrio, violento, psicótico. A personagem criada em 1939 (portanto período de guerra), surgia num contexto de transformação social, ao mesmo tempo herdando o clima de truculência dos anos 30 e a perspectiva de um confronto sangrento em escala global. Poderia um justiceiro, que assistiu ao assassinato brutal de seus pais quando criança, ser uma figura engraçada?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Confucionismo x Neoliberalismo - O sonho de Uzumaki

Os ensinamentos de Confúcio parecem impregnados na alma oriental. Certos princípios hierárquicos, o respeito e submissão à nobreza, a obediência cega ao poder do estado, tudo isso parece fazer parte dos valores assumidos por japoneses, chineses, coreanos e por aí vai...
Os animes, e outrora os tokusatsus muitas vezes foram e ainda são utilizados como instrumento de transmissão dessas doutrinas, além de alertar, por meio de linguagens repletas de simbolismos, sobre a ameaça da invasão ocidental. Quem nunca assistiu às sagas dos Irmãos Ultra, combatendo as invasões alieníginas, e não percebeu que a ideia de livrar a humanidade dos monstros vindos do espaço não era na verdade uma mensagem figurada chamando a atenção para o perigo da crescente influência americana na economia, na cultura e na sociedade japonesas?
Mas assistindo ao Naruto, me surpreendi com a forma que os valores do Confucionismo são questionados. Uzumaki Naruto é um fracassado, orfão, sem linhagem e aparentemente sem talento algum. Seu sonho de se tornar Hokage é sustentado sobretudo por sua obstinação. Ao levar adiante esse sonho às custas de prática e teimosia, o desajeitado e irritante (no bom sentido) menino loiro praticamente empunha a bandeira do neoliberalismo. rompe com as barreiras formais da tradição oriental, que separa a elite do resto do povo de forma ainda mais intensa e intransponível do que na maioria dos países ocidentais.
No capítulo que antecede a vitória de Naruto sobre Neiji Hiuuga, é interessante observar como o autor reproduz um dos maiores preceitos do Confucionismo, o respeito ao destino: se você nasceu nas castas inferiores, deve se conformar com sua condição e submeter-se aos membros da elite pois a estes foi dado o poder inquestionável legado pela tradição. E a vitória de Naruto é construída sobretudo por meio da malandragem, de uma estratégia matreira, típica do animal que tem a forma do sete caudas: a raposa. Intencional ou não, a escolha da raposa como animal da kiuubi se encaixa perfeitamente na ideia de um caçador ardiloso, que tem na dissimulação e na persistência a chave para o triunfo.
O que os autores tentam transmitir às crianças com este simbolismo? A certeza de que os valores tradicionais não mais servem aos interesses do mundo atual? O que vale mais? A herança da nobreza, ou a persistência daquele que não tem um título mas possui uma habilidade?

Halloween Brasileiro

O segundo turno das eleições no Brasil não poderia ter uma data mais significativa... só o dia das bruxas justifica a presença do sr. burnes e da irmã do frankenstein na disputa pelo cargo mais importante do brasil (segundo cargo mais importante, logo após o de ministro do supremo!!