sábado, 27 de novembro de 2010

A auto afirmação do WASP


A auto afirmação do WASP
Na trama de O Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne aposentou-se do papel de vigilante. Os herois se recolheram de suas atividades, por conta da perseguição política, e o Super Homem nada mais era do que um escoteiro a serviço dos militares.
Wayne se entrega a uma vida fútil e dissoluta, já que ser o vigilante de Gotham era sua única razão de existir. Mas o mundo caótico que se descortina aos seus olhos desperta o morcego vingador que se ocultava dentro do homem. Suas investidas voltam a ocorrer nas madrugadas escuras de Gotham City, ao passo que os criminosos insanos de outrora despertam de seu torpor para funcionarem como alter egos malignos de Batman. Entretanto, o governo não fica nada satisfeito com o retorno do Homem Morcego. Para detê-lo, e enviado o fiel escudeiro do exército americano, ninguém menos que o Homem de Aço. Mas Bruce Wayne já se preparara para o confronto. Usando sua fortuna, desenvolveu um método para fazer a Kriptonita alterar as condições físicas do Super Homem, tornando normal por alguns instantes. Acostumado a trocar socos com criminosos de todas as idades, cores e tamanhos, perito em artes marcias, o Cavaleiro simplesmente espanca Clark! O resultado é o que se vê acima.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O confronto entre o Cavaleiro das trevas e O Homem de aço


Na conclusão do trabalho de Miller, ocorre o ponto alto (embora seja difícil definir o ponto mais alto num trabalho que é excelente do início ao fim)da trama, com o confronto entre Batman e Superman. Atento às simbologias, o leitor não pode ignorar a gêenese do super homem, suas raízes inspiradas nas tradiçoes do Judaísmo, com seus mitos e herois. Idealizado por dois jovens americanos de origem israelita (Siegel e Shuster), Superman é o errante que abandona sua terra natal e ao chegar a um novo mundo adquire super poderes. Como gratidão, dedica sua vida a combater o mal, e busca a integração com o novo ambiente que o destino lhe legou. Kal-el, em Hebraico, significa "amigo de DEUS" e é interessante observar a concepção artística que a personagem sofreu ao longo do tempo. Ao ser criado, em 1932, o Superman personificava o mito do homem superior (em voga na época e apregoado por inúmeras teorias racistas, inclusive a do Nazismo), surgindo como o super soldado que defenderia um povo indefeso de um inimigo implacável. Ou seja, uma resposta dos judeus americanos à perseguição que surgia na Europa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Batman - A personificação do WASP



Membro da elite de Gotham, Bruce Wayne se enquadra perfeitamente na figura do W.A.S.P (White Anglo-Saxon Protestant), numa versão sombria. Visto por muitos como reacionário e direitista, é inegavel que as ações do Homem Morcego tenham um quê de moralismo ultrapassado, assim como sua imensa fortuna funciona como um ornamento que o faz sobreviver num mundo de hipocrisia. Ao tomar a justiça em suas mãos, a simbologia do Cavaleiro das Trevas proclama: a elite branca de origem anglosaxã é quem toma as decisões na América, se não diretamente, então na calada das noites negras de suas grandes cidades. E um detalhe, embora espanque gângsters menores, o verdadeiro inimigo geralmente tem cultura, refinamento e posses, fazendo do mal um caminho escolhido, e não relegado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Batman x Superman


Quem curte quadrinhos e nunca leu "O Cavaleiro das Trevas", de Frank miller, pode se considerar incompleto. Verdadeiro clássico dos comics, a obra foi, segundo o próprio Miller, feita para os fãs de Batman da sua geração (ele nasceu em 1957). Engana-se aquele que imaginar que por ter tido contato com o cruzado de capa nos anos 60, Frank e sua geração se empolgaram com a burlesca série produzida para TV e estrelada por Adam west e Burt Ward. Frank Miller sempre se interessou pelo Batman das origens, sombrio, violento, psicótico. A personagem criada em 1939 (portanto período de guerra), surgia num contexto de transformação social, ao mesmo tempo herdando o clima de truculência dos anos 30 e a perspectiva de um confronto sangrento em escala global. Poderia um justiceiro, que assistiu ao assassinato brutal de seus pais quando criança, ser uma figura engraçada?