segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os Vampiros estão na moda (ou sempre estiveram?)


O mito do vampiro nunca esteve tão em alta como nos últimos anos. Livros, filmes, séries de tv e toda gama de produtos que surgem relacionados a cada uma das obras invadem o mercado e fazem uma figura lendária e fleumática se tornar quase uma personagem possível socialmente, como os heróis detetives, militares ou lutadores de artes marciais. Nunca ninguém provou que eles realmente existem, jamais assistimos a um a entrevista real com um vampiro em algum talk show, nem pegamos um avião com um grupo deles em viagem de férias. Todavia, há a velha máxima de que toda lenda tem um fundo de verdade. Para que o mito dessa criatura que suga sangue humano e vive para sempre na escuridão possa ter chegado aos nossos ouvidos, o mínimo que se pode é imaginar que em algum momento da história, pessoas ou grupos humanos devem ter visto criaturas (humanas ou não) com um comportamento similar, se não totalmente monstruosos como vemos nos filmes, pelo menos agindo fora daquilo que se espera ser uma conduta usual. É provado que o canibalismo já aconteceu e ainda acontece no mundo, mesmo à parte de situações extremas como o desastre nos Andes, que levou os passageiros de um avião acidentado a se alimentarem da carne dos passageiros falecidos na queda. A psicopatia leva o homem a picos de bizarrice e bestialidade, e isso é inegável. Contudo, o que sempre me chamou a atenção no que diz respeito à lenda dos vampiros é o charme, uma grande dose de glamour que procura se acrescentar à concepção dessas personagens. O vampiro normalmente é um nobre, ou ao menos um indivíduo muito rico e socialmente influente. Salvo algumas exceções, como o Nosferatu, em geral são belos e galantes, e se saem bem com as mulheres. Uma atriz certa vez declarou que as mulheres se sentem seduzidas pela figura do vampiro, por ele ser uma mistura do pai poderoso e imortal com o amante irresistível. Bem, há fantasias para todos os gostos. Mas deixando o romantismo e os fetiches de lado, e observando as peças que compõem o mito, imagino que a ideia de um ser demoníaco que atacava vítimas nas florestas europeias poderia muito bem ter uma origem alegórica, e de fundo até mesmo satírico, mais do que a idealização satânica que a mente humana associa a essa lenda. É claro que relatos sobre tais criaturas não surgiram apenas na Europa, aliás, parecem presentes em praticamente todo o mundo, mas o vampiro que chegou até nós possui características bastante ligadas à cultura daquele continente Uma crítica bem humorada, até cáustica, a um parasita social, parece muito evidente na metáfora “sugar sangue humano” para manter-se vivo eternamente. A simbologia do sangue associado à vida poderia levar a se compreender o vampiro como o nobre ocioso que perpetua o poder e os privilégios de sua classe social por meio da exploração do trabalho dos pobres e indefesos, especialmente jovens. Vale lembrar que, nas Idades Média e Moderna, a expectativa de vida das pessoas era muito baixa, e que o trabalho árduo conduzia rapidamente a doenças e mortes precoces. É raro ver histórias nas quais os vampiros atacam anciões. Em geral as vitimas são jovens, muitas delas donzelas, conduzidas à depravação e ao declínio de seus valores cristãos em troca da vida eterna no plano carnal. O satanismo diretamente ligado à imagem do vampiro se encaixa na dualidade espírito versus carne, uma vez que ele representa uma subversão do caminho existencial do homem. Sendo assim, numa época em que o analfabetismo era viçoso e natural entre a humanidade, fica difícil imaginar que uma construção de metáforas e símbolos tão intrincados pudesse ter sido criada por um camponês. A mensagem da cruz e dos símbolos sagrados como elementos capazes de destruir as criaturas das trevas e seu legado faz pensar que as referidas alegorias foram de fato maquinadas por clérigos, não eles próprios vítimas da exploração daquela classe, mas sim sendo o grupo que a vislumbrava como uma ameaça à sua própria parcela de poder. É sabido que nobreza e Igreja nem sempre andaram de mãos dadas, e a disputa pelo controle dos jogos políticos em uma nação não raramente conduz ao que se poderia chamar de guerra ideológica, como vemos hoje em dia entre partidos políticos de ideologias conflitantes. E a aversão ao alho? Nos filmes antigos uma das formas de se repelir o vampiro era com uma coroa de alhos, que causaria ojeriza ao monstro. Com base na História, há relatos que falam sobre a maneira desdenhosa que certos nobres se referiam aos camponeses, os quais “cheiravam a alho”. Sarcástico atribuir essa fobia a uma criatura das trevas, mas é isso mesmo que a torna alegórica e escarnecedora. Factual é que a construção da lenda se arrastou ao longo dos tempos, e cada elemento que a compõe foi inserido gradativamente, portanto seria difícil especificar os valores morais e filosóficos vigentes em cada época. Mas se pensarmos no momento atual, observamos que a ponte entre o vampiro e a sociedade liga os caminhos que conduzem principalmente ao domínio da estética. Vampiros são jovens e belos, sensuais e poderosos, sendo exatamente esses os valores preconizados pelos padrões de beleza e comportamento que estão em voga hoje, na era da cirurgia plástica, onde a busca pela perfeição das formas gera verdadeiras máscaras humanas. Os vampiros, então, surgem como entes metafóricos dentro desta mentalidade, base para um estereótipo de figura estética, uma vez que na ficção, personificam o desejo oculto do homem de viver para sempre, com um corpo que não envelhece, não adoece, se a regenera e não perde o vigor. Num mundo em que os cientistas falam de transplantes de órgãos clonados, de prolongar a vida até os 130, 150 anos, onde se cogita o desenvolvimento de técnicas de transplante de memória de um cérebro para outro, a imagem de um ser com características citadas acima tem o mesmo apelo à mente humana que os ideais da cavalaria exerciam sobre os homens comuns na antiguidade. Muitos copiavam os padrões de comportamento de um cavaleiro sem sequer ter visto um na vida!
Numa sociedade que busca a perfeição e a eternidade na Terra, e que transforma cretinos como os “Doutores Califórnia” em celebridades, os vampiros são, por forma e conteúdo, os heróis e arquétipos mais adequados.

Nosferatu de 1922



Esse filme do Mornau é um dos que mostram o vampiro monstruoso e disforme, talvez pelo clima pesado que a humanidade vivia na época (entre as duas grandes guerras). A segunda versão, com Klaus Kinski, também é boa, embora o ator não tenha conseguido a mesma performance sinistra do astro da primeira versão.

Hellsing Anime Japonês


Muito legal esse anime sobre uma organização de vampiros que combate os vampiros "maus" para proteger a humanidade. Só não protege os brasileiros, uma vez que o protagonista vem ao Rio caçar nazistas escondidos e acaba trucidando uma unidade inteira do BOPE.

Trabalho de Tradução

Olá, amigos e leitores, publiquei a baixo uma tradução minha para um mini conto de mistério. Sempre quis trabalhar como tradutor, e enquanto as oportunidades não surgem, vou usar o blog para experiências. Conto demais com vossa opinião, seja com elogios ou críticas. Boa leitura e obrigado

Espíritos

O primeiro a aparecer é o Blue. Mais tarde, aparece o White, e depois aparece o Black, e antes de tudo começar aparece o Brown.
Brown iniciou-o na atividade, Brown ensinou-lhe os macetes, e quando Brown envelheceu, Blue assumiu o comando. E assim a história começa. O lugar é a cidade de Nova York, a época é o presente, e nem um nem outro vai mudar. Blue vai para o seu escritório todos os dias e senta-se à sua mesa, esperando que algo aconteça. Por muito tempo, nada acontece, e então um homem chamado White entra porta adentro, e é como a história começa.
O caso parece bastante simples. White quer que Blue siga um homem chamado Black, e fique de olho nele pelo tempo que for necessário. Enquanto trabalhava para Brown, Blue fez muitas campanas, e essa não parece diferente, talvez até mais fácil que a maioria.
Blue precisa do trabalho, ouve White e não faz muitas perguntas. Ele presume se tratar de um caso conjugal e, portanto, White é um marido ciumento. White não entra em detalhes. Quer um relatório semanal, ele diz, enviado para uma certa caixa postal, digitado e impresso em duplicata, em páginas de largura e comprimento determinado. Uma ordem de pagamento será enviada semanalmente a Blue via correio eletrônico. White então diz a Blue onde Black mora, quais as suas características físicas e assim por diante. Quando Blue pergunta a White quanto tempo ele acredita que o caso durará, White diz não saber. Apenas envie os relatórios, ele diz, até novas instruções.

Ghosts

First of all there is Blue. Later there is White, and then there is Black, and before the beginning there is Brown. Brown broke him in, Brown taught him the ropes, and when Brown grew old, Blue took over, that is how it begins. The place is New York City, the time is the present, and neither one will ever change. Blue goes to his office everyday and sits at his desk, waiting for something to happen. For a long time, nothing does, and then a man named White walks through the door, and then is how it begins.
The case seems simple enough. White wants Blue to follow a man named Black and to keep an eye on him for a long as necessary. While working for Brown, Blue did many tail jobs and this one seems no different, perhaps even easier than the most.
Blue needs the work and he listen to White and then doesn’t ask many questions. He assumes it’s a marriage case and then White is a jealous husband. White doesn’t elaborate. He wants a weekly report, he says, sent to such and such a postbox number, type out in duplicate on pages so long and so wide. A check will be sent every week to Blue in the email. White then tells Blue where Black lives, what he looks like and so on. When Blue asks White how long he thinks the case will last, White says he doesn’t know. Just keep sending the reports, he says, until further notice.

Auster, Paul. Ghosts. In: The New York Trilogy. Penguin Books. NY, 1990