segunda-feira, 25 de julho de 2011

Espíritos

O primeiro a aparecer é o Blue. Mais tarde, aparece o White, e depois aparece o Black, e antes de tudo começar aparece o Brown.
Brown iniciou-o na atividade, Brown ensinou-lhe os macetes, e quando Brown envelheceu, Blue assumiu o comando. E assim a história começa. O lugar é a cidade de Nova York, a época é o presente, e nem um nem outro vai mudar. Blue vai para o seu escritório todos os dias e senta-se à sua mesa, esperando que algo aconteça. Por muito tempo, nada acontece, e então um homem chamado White entra porta adentro, e é como a história começa.
O caso parece bastante simples. White quer que Blue siga um homem chamado Black, e fique de olho nele pelo tempo que for necessário. Enquanto trabalhava para Brown, Blue fez muitas campanas, e essa não parece diferente, talvez até mais fácil que a maioria.
Blue precisa do trabalho, ouve White e não faz muitas perguntas. Ele presume se tratar de um caso conjugal e, portanto, White é um marido ciumento. White não entra em detalhes. Quer um relatório semanal, ele diz, enviado para uma certa caixa postal, digitado e impresso em duplicata, em páginas de largura e comprimento determinado. Uma ordem de pagamento será enviada semanalmente a Blue via correio eletrônico. White então diz a Blue onde Black mora, quais as suas características físicas e assim por diante. Quando Blue pergunta a White quanto tempo ele acredita que o caso durará, White diz não saber. Apenas envie os relatórios, ele diz, até novas instruções.

Um comentário:

  1. Muito massa! Muito bem escolhidas as expressões formais que representam a relação profissional entre Blue e White. Abração!

    ResponderExcluir