sábado, 7 de janeiro de 2012




Derrelito


Oscilo sobre as ondas
Abaixo, acima, incerto
À frente o mar aberto
Sem ponto de partida
Sem porto de chegada
Velas infladas
Pelo vento
Impelem ânsias através do tempo
Mares sem pérolas, ilhas sem tesouros
Convés de almas surdas
Solidão da popa à proa
No silêncio azul ecoa:

O pranto, a espuma, a esperança!

O navegar que não se cansa
Por tormentas, calmarias
Um errar dia após dia
Sem rota e sem bandeira
Sem espólios, nem caveira
Sereias mudas submergem, frias
Ao longe se encerra o horizonte cinzento...
Sobra o sal que lambe a quilha
Sob um sol que não se põe!
Por onde for que leve a sorte
Pra onde for que a brisa sopre
Galeão fantasma, nau à deriva
Vacilando esquecida, nos azuis do tempo...

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