sábado, 7 de janeiro de 2012

Por que devemos odiar os cães?




Conversa entre duas tias a respeito de animais de estimação: “Não gosto de gatos, só de cachorros. O gato, se você dá um chute nele... nunca mais quer saber de você. Agora, o cachorro, você pode dar um pontapé que daqui a pouco ele ta te lambendo de novo”.
Há milhares de anos esse animal, o cão, frequenta nosso meio e vive junto à humanidade. Reza a lenda que o homem o adotou por sua fidelidade, como parece bem claro na declaração que inicia esse ensaio. Ledo engano. O cão adotou o homem, e isso à custa de muita determinação, porque o homem primitivo nunca o viu com bons olhos. O lobo, para os antigos, era um ente demoníaco, mensageiro de desgraças e transmissor de doenças. O cachorro, como nós o conhecemos, descende de uma das três classes em que se dividia a sociedade lupina. Entre estes, se destacavam o líder, o mais hábil entre todos, e mais dois ou três, também exímios caçadores, que ficavam próximos a ele só esperando por um vacilo seu para tomar-lhe o lugar. Qualquer semelhança com o mundo profissional e corporativo de nossa sociedade é só coincidência. Existia depois um pelotão intermediário, de lobos que também sabiam caçar, embora não com tanta habilidade. E no rodapé dessa estrutura de classe, uma ralé incompetente para a caça. O fato é que isso os tornava muitas vezes inaptos a sobreviver, uma vez que, abatida a presa, a ralé era a última a se alimentar, ficando quase sempre apenas com os ossos. Não é difícil de se compreender o porquê da satisfação de um cachorro quando lhe é dado um osso. Animais bastante ardilosos e observadores, os lobos logo perceberam que era muito mais vantajoso se estabelecer próximo aos povoados humanos, pois o homem primitivo não possuía ferramentas adequadas para o corte de carne, deixando entre os ossos dos animais abatidos muita substância que era a garantia de sobrevivência aos lobos incompetentes. Logo abandonavam as alcateias e se instalavam próximos aos povoados, esperando serem alimentados pelo homem. Este, com o tempo, percebeu que era uma vantagem tê-los ao redor das vilas, uma vez que, como nos dias atuais, faziam um barulho ensurdecedor ante a aproximação de estranhos. Assim iniciou-se, lentamente, num processo que se acredita ter durado cerca de 3000 anos do primeiro contato até a plena integração, a relação aparentemente simbiótica entre a humanidade e este asqueroso parasita social.






Alguns alegam que ele protege suas propriedades, o que pode ser verdade se o agressor for um tipo muito ordinário de marginal. Se um ser humano pouco pode fazer diante de uma arma e de um assassino determinado, o que se dirá de uma criatura imbecil dotada de um QI irrisório? Do contrário, os cães são muito eficazes em ferir pessoas nas ruas, quando saem de portões abertos por seus donos idiotas e irresponsáveis. O célebre vizinho “megacontribuinte”, que acha que paga mais impostos do que os demais e então a rua é uma extensão de seu quintal. E depois, a vítima ainda tem de ouvir baboseiras do tipo: “Ah, o bicho não tem culpa”, “É irracional”, “Nunca mordeu ninguém”. E amargar horas na fila de um PS em busca de socorro. Mas ao meu ver, a principal razão para essa associação do homem moderno com o cachorro tem a ver com a vaidade humana. Lembro-me de um cretino que conheci tempos atrás que dizia que o atrativo do cão era o fato de ele ser bobo. Daí depreende-se que essa relação surge da necessidade do homem (e da mulher, naturalmente) em ter um “bobo da corte”, um palhaço que lhe faz graças e o adula em troca de ossos, biscoitos e outras frugalidades. Junte-se a isso a declaração da tia que aparece no início do texto, a partir da qual é possível se fazer uma análise do perfil psicológico de muitas pessoas que idolatram cães. Indivíduos que se acham no direito de chutar os outros em seus momentos de raiva ou frustração, e, além disso, acham que os que são maltratados têm obrigação de lhes perdoar sob pena de serem vistos como “felinos” insensíveis.

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